A indústria automotiva premium está consolidando um novo modelo de negócio que promete dividir opiniões entre os consumidores brasileiros. A BMW confirmou que o SUV elétrico iX3 passa a exigir o pagamento de assinaturas mensais ou anuais para que o proprietário tenha acesso a recursos tecnológicos que já estão fisicamente instalados no veículo, como o sistema de câmeras 360° e pacotes de assistência ao condutor (ADAS).
Hardware presente, software bloqueado
Diferente do modelo tradicional de venda, onde o cliente paga pelos opcionais no momento da compra e detém o uso vitalício, a nova estratégia da montadora alemã foca na “função sob demanda”. Isso significa que o BMW iX3 sai de fábrica com todos os sensores, câmeras e radares necessários para o funcionamento pleno dos sistemas de segurança e conveniência, porém, o software permanece bloqueado por uma barreira de pagamento.
Entre os principais recursos submetidos a este regime de assinatura no SUV elétrico, destacam-se:
- Sistema de Câmeras 360°: Auxilia em manobras complexas e estacionamento com visão aérea do veículo.
- Pacote ADAS Avançado: Inclui assistentes de permanência em faixa, controle de cruzeiro adaptativo e frenagem autônoma de emergência otimizada.
- Gravador de condução: Utiliza as câmeras externas para registrar incidentes no trânsito.
Tendência de mercado e experiência do usuário
Esta movimentação da BMW reflete uma tendência global conhecida como Features on Demand (Recursos sob Demanda). O objetivo das fabricantes é criar receitas recorrentes após a venda do automóvel, similar ao que ocorre em softwares de computador e serviços de streaming. Para o consumidor, a vantagem teórica seria a possibilidade de testar um recurso por um período curto antes de decidir pela compra definitiva ou ativar funções apenas quando necessário, como em viagens longas.
Por outro lado, a prática gera críticas em relação ao custo-benefício, uma vez que o valor do hardware já está embutido no preço final do veículo. Especialistas do setor apontam que essa modalidade pode impactar o mercado de seminovos, já que o próximo comprador precisará renegociar as assinaturas para manter o carro com as funcionalidades tecnológicas ativas.
Até o momento, os valores dos planos variam de acordo com o mercado e o período de renovação escolhido pelo motorista, sendo controlados diretamente pela central multimídia do carro ou pelo aplicativo da marca.





